quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sob o signo d` As Nuvens



Sob o signo d` As Nuvens

" Nº 06.-Nuvens, Se o lado clareado [das mesmas] é direccionado para o cartão da Pessoa, o augúrio é positivo; com o lado enegrecido na direcção da Pessoa, algo desagradável se irá materializar brevemente"

PHILIPPE,

Herdeiro de Mlle. LeNormand.

A lâmina que confunde, enturva, oculta, ensombrece, ameaça e tumultua todos os cartões que toca, As Nuvens reflectem as turbulências existentes na vida do/a consulente e, principalmente, nas áreas especificas com as quais a lâmina estabelece contacto. Carta extremamente negativa, sob a égide do Soberano de Paus, as Nuvens manifestam-se mais intensamente na actividade do/a consulente, quanto mais próximas da carta significadora do/a mesmo/a. Phillipe LeNormand também nos informa que, o lado "clear" da carta, o not clouded, traduz limpeza, clarificação e minorização enquanto o lado "dark" da mesma, o clouded, manifesta obscuridade, negritude, intensidade maior e sinaliza a localização da problemática manifesta. O lado "limpo" do cartão é o mais favorável, mas não indica, necessariamente, augúrio positivo. Qualquer cartão hospedado nas proximidades d`As Nuvens é diminuído, anulado ou manifesta mesmo a sua polaridade invertida. A sua experiência com esta carta vai ser essencial na interpretação destas nuances. Verifique-se, a priori, uma diminuição da actividade da carta, quando hospedada à esquerda, sob e distante do consulente. A sua manifestação, a priori, é mais intensa à direita, sobre e próxima do cartão do consulente. Uma vez mais a sua convivência com a lâmina é determinante na verificação destas manifestações. As Nuvens traduzem, literalmente, os "smog" das grandes metrópoles, como a "the smoggy atmosphere of Los Angeles", os "cloudy skies" tempestuosos, materializados em precipitação atmosférica, tempestades, relâmpagos, trovoadas, granizo, saraiva e nevascas. Na vida do indivíduo consultante, pode mesmo materializar o/a "ex" afectivo. Materializa ainda o tabagismo e/ou as substâncias psicotrópicas/psicoactivas, de natureza inaladora, as áreas fisiológicas afectas pelas mesmas e as variadas perturbações no aparelho respiratório. As Nuvens são, na minha opinião, conjuntamente com a Foice e o Chicote, o cartão mais subtractor existente no sistema petit-Lenormand. Jorge



terça-feira, 21 de outubro de 2014

A Casa no Grand Tableau Tradicional

A Casa petit-Lenormand

" A Casa é um sinal garantido de sucesso e prosperidade em todos os sectores; e, embora, a posição actual da pessoal talvez não seja favorável, o futuro será brilhante e feliz. Se a carta aparece hospedada no centro do spread, sob o cartão da pessoa, este é um indicativo para tomar cuidado com aqueles que o/a rodeiam"

PHILIPPE,

Herdeiro de Mlle. LeNormand.

Nota Introdutória: É a minha nona dissertação sobre petit-Lenormand, materializada sem sujar o nome, a imagem ou o trabalho de ninguém. Mérito e orgulho para mim. Não é necessário expandir-me em pormenores....O texto é da minha autoria, com as minhas palavras, a minha experiência e a minha vivência, desnecessário, portanto, apresentar bibliografia. Propus-me a apresentar um trabalho ético e límpido, e continuarei neste padrão. Utilizo a tradução “spread” para “cards”, pela utilização frequente do mesmo no contexto cartomântico. Entre “conjunto de cartas”, “tabuleiro”, “mesa”, optei por um termo moderno e mundialmente utilizado. Agradeço a todas as pessoas, que me incentivaram a continuar este trabalho com as suas palavras de encorajamento, amizade e afecto, sem as quais era praticamente impossível um continuar na exploração do universo petit-Lenormand, chamado o “tradicional”, com toda a sua riqueza histórica, pictográfica e semântico-pragmática.

O carta Casa petit-Lenormand traduz a nossa casa, literalmente, o nosso edifício de habitação, a nossa propriedade, o nosso imóvel,o nosso condomínio, o nosso núcleo familiar ou a nossa ambiência em coabitação e, por extensão, a nossa estabilidade psico-emocional, a nossa intimidade e o nosso bem-estar subjectivo. Sinonimia, ainda, a nossa naturalidade geográfica, a(s) nossa(s) propriedade(s) e a ambiência das mesmas, sejam elas realizadas no virtual ou na realidade física. Aqui incluo a actividade do networking ou o nosso estabelecimento de actividade comercial ( a Casa remete, a priori, a uma pequena instalação familiar ou pessoal). Blogs, facebook, twitter, whatsapp, até mesmo o extinto Orkut e as suas comunidades, podem ser representados pelo cartão Casa, porque nestes instrumentos de interface sociais imprimimos a nossa identidade, a nossa insígnia pessoal, as quais brasonamos e particularizamos com a nossa individualidade (pensamentos, vivências, insights,...). A lâmina significa, também, a nossa “daily routine”, traduzida como o nosso dia-a-dia, o nosso quotidiano e as interacções existentes nele.
A Casa traduz, assim, a relação do EU (INDIVÍDUO) com o NÓS (SOCIEDADE), nos vários sectores por onde circulamos diariamente. Carta neutra na sua polaridade (na leitura de Boroveshengra), a ambiência traduzida pela Casa é subordinada às cartas circunvizinhas, positiva ou negativamente amplificada ou mitigada pela polaridade das mesmas.
Na leitura tradicional petit-Lenormand, a lâmina próxima do cartão da pessoa (mas não sob e não “enegrecida” pelas Nuvens) é um indicador positivo de oportunidade próxima e estabilidade. Esta carta hospedada próximo do cartão da Árvore, por exemplo, é um indicador de saúde e bem-estar subjectivos, entendido, inclusive, como um centro hospitalar de recuperação e reequilíbrio. Importante, na leitura tradicional, é observar o que nos fala “Phillippe”, que declara que a lâmina, no meio da GT e SOB o significador, indica a necessidade de cuidado, particularmente com o seu ambiente familiar ou a sua vizinhança. E, neste contexto, quanto mais próxima do cartão da pessoa, verticalmente, maior a necessidade de alerta, precaução e diligência com a ambiência doméstica e a ambiência circunvizinha do indivíduo.
Em questões de saúde, a lâmina traduz bem-estar geral e remete para estrutura esquelética humana, o nosso suporte, alicerce e estrutura de sustentação física. Fisica e personologicamente, a carta Casa é brasonada pelo naipe de Copas e por uma figura masculina de corte, assim, a lâmina traduz um indivíduo do sexo masculino de maior idade que o/a consulente, normalmente. Esta figura ocupa um lugar de destaque no dia-a-dia da pessoa, e é caracterizada pela sua educação e formação, pinceladas muitas vezes no tradicionalismo e rigidez sociais. Leio nesta carta uma figura paternalista e patriarcal, qualificada pela amabilidade e emotividade características do naipe.
Uma vez mais, um obrigado em particular a todos, que com as suas palavras de encorajamento e optimismo, me incentivaram a continuar este trabalho, sem eles, a tarefa estaria, a priori, sabotada.

                                                                                                                                         Jorge Silva




Lenormander.....



Petit Lenormand e/ou "Baralho Cigano"? Qual a sua opinião? É o Baralho Cigano uma ramificação do petit-Lenormand ou a manifestação de um outro método cartomântico, originado pela aculturação do PL em "Terra Brasilis"? Independentes ou interligados exclusivamente pela pictografia? Sorte, como oportunidade oferecida pelo efémero trevo ou "paus e pedras" traduzidas como obstáculos? A cruz é realmente uma cruz, entendida como sofrimento e "calvário" ou a mitigação da dor de um povo e, subsequentemente, a vitória do mesmo? E uma torre? Estaremos na presença de uma metodologia neonata ou o método de "Lenormand" ainda se faz presente? [imagem: das Spiel der Hoffnung, reprodução by Lauren Forestell]



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O "(in)correcto" n`Os Lírios - uma primeira abordagem


A minha experiência com o petit-Lenormand, quer individual, quer grupal (nomeadamente nos grupos de facebook) tem-me alertado para o uso indiscriminado de termos como correcto, incorrecto, bem, mal, karma, destino e outros... Sou muito reservado e até imparcial quando a questão é sobre karma, religião ou espiritualidade. A maioria das vezes remeto-me ao silêncio. O conceito de karma, na minha opinião, pode não ser o mais adequado, porque o PLenormand não tem vinculação a religiões ou filosofias, pelo menos na sua essência. A maioria das vezes uso a terminologia psicológica "life-span" (período de duração de vida), com a conotação de "bagagem" adquirida. Subjectividades de lado, pretendo focar-me na carta dos Lírios. Os séculos XVIII e XIX eram caracterizados pela concepção de família vitoriana e judaico-cristã, entendida como um corpus patriarcal, com o paterfamilias, a materfamilias e os liberi. Uso a terminologia latina, porque a concepção de família nos séculos supracitados, pouco diferia da concepção de família dos séculos III-II a. C. Este conceito é risível, hodiendamente, uma vez que o ser humano começa (felizmente!) a ser entendido na sua unicidade num contexto de pluralidade. O Lírio Lenormand, na sua génese, adoptava este conceito de moralidade judaico-cristã, caracterizado por uma candura e comportamento virtuoso quase virginal e dissecado de quaisquer "vísceras" não morais. O lírio aparece também associado à figura mariânica cristã, assexualizada e "politicamente correcta", esposa fiel e subordinada socialmente a um José também ele "assexuado". Neste contexto afloram conceitos-chave do Lírio petit-Lenormand como família, estabilidade, protecção auxílio, suporte e pureza quase "santificada". Contrariamente, o lírio na antiga Hélade e, posteriormente na França, adquiria a conotação de sexualidade expressa, nas figuras mitológicas de Apolo, Jacinto, Perséfone e nos versos de Charles-Pierre Baudelaire. Estes conceitos vão ser assimilados pelo cartão dos Lírios e trazer a sexualidade como um dos significados mais evidentes do mesmo. Entendamos os Lírios como família (não a da instituição religiosa judaico-cristã) e, por extensão, como sexualidade humana manifesta. No método da distância e da proximidade, as cartas à esquerda e sob o Significador são enfraquecidas e as cartas à direita e sobre o Significador têm o seu significado ampliado (recorde-se que o contexto, a proximidade, o afastamento, o "clouded", o "not clouded", a polaridade e a circunvizinhança são também determinantes). Cartas como as Nuvens, o Anel e os Lírios, só para exemplificar as mais proeminentes, também têm a sua interpretação influenciada pela sua posição à esquerda ou à direita da carta do Significador (tomando o mesmo como as cartas 28 ou 29, respectivamente). Onde encontramos, pois, o conceito de "(i)moralidade" do Lírio Lenormand? "Phillipe", no seu BLW de 1846, afirma que " Os Lírios...colocados acima [do cartão] da Pessoa, indicam que a mesma é virtuosa; se [colocados] abaixo da Pessoa, os princípios morais da mesma são dúbios". Sintetizando, sobre a pessoa, a regra tradicional, indica comportamento socialmente aceitável, honestidade e autenticidade e sob a pessoa, comportamento questionável ou mesmo considerado incorrecto na "norma" social. Nestas posições, as cartas hospedadas na circunvizinhança dos Lírios vão prognosticar onde se manifesta o comportamento (in)correcto do indivíduo. (Continua)
Uma óptima semana a todos e uma vez mais o meu obrigado expresso.

Jorge

E A FÉNIX RENASCE DAS CINZAS........ Luz e Trevas no Lenormand – O naipe de Ouros [texto sujeito a revisão e aperfeiçoamento póstumos]



O Schellen alemão (sino), mais conhecido entre nós pelo nome de diamante, losango, moedas ou ouro, aparece no Petit Lenormand sob a égide do elemento Fogo (vide Helen's Lenormand dictionary, inhttp://lenormanddictionary.blogspot.pt/p/helens-lenormand-dictionary.html) e traduz na leitura factores externos ao indivíduo, caracterizados pelo inopino aparecimento de oportunidades e inoportunidades, contextos de adição e subtração significativos, onde a marca da luz e das trevas se faz presente. Entenda-se luz como uma potencialidade apresentada e trevas como uma eliminação da mesma. Esta observação é bem visível em cartas que, intrinsecamente, apresentam o factor escuridão, eclipse, ceifamento bem presente, nomeadamente o Caixão (ou Urna) e a Foice. A carta número 10 Lenormand, o Caixão, traz em si, significados como fim (o “the end”), o eclipsar, o mortificar, o apragmatizar, além da conotação evidente de doença psico-emocional e orgânica. A Foice apresenta conotações idênticas, mas a sua acção é sempre uma transformação (positiva ou negativa). Esta lâmina é caracterizada pela sua implacabilidade, pela sua extração célere e imprevisível de algo que já está morto ou mesmo em processo de putrefacção, seja ele um sentimento, um pensamento, um órgão do nosso organismo, um indivíduo ou mesmo uma conjucção de situações desnecessárias. Ela também caracteriza a energização aplicado no modus laborandi do homem agrícola, e por extensão, do odontologista, o médico cirurgião e o criminoso. A Foice e o Caixão são duas cartas que potencializam uma transformação, mas também todos os processos que minimizam ou inutilizam o ser humano, retrocessos e terminações inevitáveis no nosso life-span cycle, extinções, eclipses e cortes indispensáveis, interna ou externamente, de elementos impossibilitadores do desenvolvimento do animal humano e do animal não-humano (usando a terminologia biológica).
O schellen petit- Lenormand outorga os cartões Trevo(02), Aves(12), Caminhos(22), Livro(26), Sol(31), Chave(33) e Peixes(34) e oferece o oportunismo aos jogadores e o empreendimento aos Indies da vida. Mas é também um naipe cujo efeito é imperdoável e implacável, quase imperceptível, cujos efeitos são significativamente percebidos só no processo de cicatrização. Estão nestas condições o Trevo, o Sol, a Chave e os Peixes, o Caixão e a Foice. O continuum luz-trevas lenormand é perfeitamente compreendido nestes cartões. O Trevo oferece o factor o (como denomino o factor “oportunidade”), momento esse, efémero e diminuto, momento de luz, que pela sua fragilidade, rapidamente se extingue e volatiza (momento trevas). A expressão latina “Carpe diem” é, na minha opinião, a melhor caracterização do Trevo Lenormand. Na nossa vida diminuta, assim como na desta planta, a oportunidade é única e irrepetível.
O Caixão eclipsa o factor light da vida, a luz, num processo de mortificação, que para muitos é um rebornig para uma nova oportunidade. É preciso morrer para nascer de novo.
A Foice (10) é imperativa na nossa vida. Este instrumento de trabalho, quando aparece no jogo, movimenta, rapidifica, imediatiza, intercepta e irrevoga. A Foice Lenormand é celerígrada, modificadora, movimentadora abastecedora e, inversamente, assassina, e aqui a sua inquestonável associação à criminalidade. Ela extingue e adicciona, favorece a luz, na sua capacidade de surpreender, adquirir e recolher, conquanto traduz as trevas, na sua potencialidade de exterminadora implacável.
Uma outra carta, as Aves, Pássaros ou Corujas(12) manifestam o continum luz-trevas, na sua acção concomitante volátil, dúvia, verbal e flertiva, onde umas escapadelas de fim-de-semana, são uma luz ao fundo do túnel e mesmo uma libertação, nesta ininterrupta actividade pipiante, irritativa e exasperante transmitida pela carta.
O cartão Caminhos ou Encruzilhada(22), uma outra lâmina que transmite uma acção concomitante, oferece igualmente a possibilidade do caminho da luz ou do caminho das trevas, na sua significação de divisão, intersecção, multiplicidade, alteridade, dubitabilidade e opcionalidade oferecidas ao indivíduo.
O cartão 26, o Livro, irradia conhecimento e acção formativa e educativa, na sua vertente luminosa. Inversamente a sua vertente obscura transmite o ignoto, o secreto, o desconhecido e o inacessível. Quanto mais conhecimento e formação temos, mais esclarecidos e iluminados somos e assim funciona a lâmina no Grand Tableau Lenormand. Quanto mais distanciado do cartão do Significador, menor é a importância da tenebridade oculta.
Entramos no domínio da big-card, O Sol, numericamente o cartão 31 Lenormand. A carta vivifica o indivíduo, encandece e ignifica uma situação, mas inversamente, há a possibilidade do encandeamento do sujeito. A Chave, o cartão Lenormand n.º33, traduz magnificamente esse continuum luz-trevas, na sua potencialidade afirmativa e solucionável, a acção de “abrir”, mas também intransponível e subtractora, a acção de “fechar” qualquer contexto.
Finalizo com o K do naipe, medalhado no cartão Peixes(34). Aqui o factor luz é dominante, dado que a carta encerra em si significados como multiplicidade, materialização, abastecimento, corporeidade, produtividade, profundidade, intensidade e expansibilidade. O factor trevas só é bem notório, quando a lâmina aparece afastada do cartão do significador.
Esta dissertação permite uma primeira análise do naipe de ouros do petit-Lenormand, na sua manifestação luz-trevas e assim a tentei transmitir. O naipe em estudo é, na minha opinião, o mais heterogéneo de todos os existentes, permitindo uma multiplicidade de significações, onde o indivíduo mergulha no continuum luz-trevas ininterrupta e ciclicamente. Como verificado, há cartões naipeados pelo signo ouro, que transmitem mais a vertente luz que a sua oposta, a faceta trevas, mas em todos eles ela se faz presente, com maior, menor ou mesmo insignificante intensidade. Diria mesmo que o mesmo se verifica em todos os 36 cartões lenormand, mas defendo que essa intensidade não é tão perceptível como no contexto naipeano dos ouros. Críticas e sugestões são sempre bem recebidas, pois o meu objectivo, a posteriori, é o aperfeiçoamento do texto, assim como um estudo alargado dos naipes e a sua significação dentro do sistema Lenormand.
A todos os que me acompanham e, naqueles momentos de maior desespero e inactividade, foram a luz que me distanciaram das trevas, aqui deixo expresso o meu muito obrigado. As luzes sabem quem são....e as trevas também!
Votos de um óptimo fim-de semana,

Jorge




quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Andy Boroveshengra e o Navio


“ O Navio, o Símbolo da comércio, traduz uma grande riqueza, que será adquirida por intercâmbio comercial ou herança; se próximo da Pessoa, significa uma viagem próxima”

PHILIPPE,

Herdeiro de Mlle. LeNormand.

O Navio, carta terceira do nosso peti-Lenormand, sinaliza oportunidades e intercâmbios comerciais, realidades essas descritas pelas cartas circunvizinhas. O seu significado “tradicional” é o de empreendedorismo e actividade comercial, que o auspicioso Navio fornece a qualquer indivíduo, pautado por uma garantia de melhoria e enriquecimento.. Um outro significado primeiro da carta é o de herança e, na prática borovoshengrana, aparece, a maioria das vezes, como uma oferta ou uma garantia (regra geral, financeira) de alguém para com o consulente.
Quando o Navio se hospeda próximo do cartão do/a consulente, a oportunidade de viagem é imediata, desejada ou esperada. As cartas circunvizinhas, como afirmado, são determinantes na classificação e pormenorização dessa viagem, dada a polaridade positiva-neutra da carta. O Navio, entendido como viagem de duração prolongada, mostra o/a consulente expectante em um ou mais países e, adquire, no contexto apresentado, o próprio meio de transporte utilizado: um comboio, um avião e, evidentemente, um navio.
Um significado muito importante que o Navio adicciona à leitura é o de SAUDADE ( a “longing”), sentimento nostálgico por alguém ou alguma coisa, expectativa de ver alguém, desejo de ir a algum lugar e, por extensão, saudade de alguém já falecido ou alguma coisa já extinta.
A carta em si, justaposta a outras cartas, na leitura boroveshengrana, pode materializar o estágio final da vida do indivíduo e, mesmo a morte física. “Philippe” apresenta a carta da Torre como sinonímia de idosidade, idade avançada, longevidade e, Boroveshengra, por associação lógica, lê nas combinações Torre (19) + Navio (03) e/ou Torre (19) + Navio (03)/ Cartão do Significador (28 ou 29) + Caixão (08) a finalização do “life-span cicle” do indivíduo (ciclo de vida do indivíduo).
O Navio, fisica e personologicamente, materializa um indivíduo masculino, embora não seja regra, um homem estrangeiro ou de descendência estrangeira. A exterioridade geográfica do mesmo é a palavra-chave. Empresário ou um técnico de vendas, ou mais frequentemente um freelancer (profissional autónomo), o indivíduo-navio é, intrinsecamente,um outsider, qualificado como idealista e sonhador.
Na terminologia médica, o Navio representa o fígado, o baço, o pâncreas e a vesícula biliar.
A carta pode indicar também uma viagem imperativa, por motivo de doença, quando circunvizinhada por cartas “infecciosas”. Indica também o medo intenso e específico de viagens de barco, navio, cruzeiro ou avião. Pode indicar também dificuldades de adaptação (Nuvens + Estrelas + Navio).
A presente disertação segue, ipsis verbis, a mesma estrutura e bibliografia apresentadas nas exposições anteriores. O seu axial é o livro de Andy Boroveshengra, Lenormand Thirty Six Cards: An Introduction to the Petit Lenormand. Esclareço que reconheço as minhas limitações e lacunas ainda existentes, como estudioso boroveshengriano. O original do autor e a linguagem petit-lenormândica “tradicionalista” foi a minha preocupação primeira. A todos os que comigo continuam nesta viagem, deixo expresso o meu muito obrigado, esclarecendo sempre que críticas e sugestões para um maior aperfeiçoamento são sempre bem recebidas.

Jorge Silva



ENTENDER O “PRÓXIMO” E O “DISTANTE” NA LEITURA DO GRAND TABLEU LENORMAND – MANUAL PRÁTICO I

O método NFMth (Near & Far Method), aparentemente complicado e “desactualizado”, é um método extremamente riquíssimo e pormenorizado, que permite uma macro-abrangência temática e o continuum dinâmico, que caracteriza o petit-Lenormand. Pensemos num epicentro, o significador e, a partir dele, vamos verificar a influência/ não influência da proximidade/afastamento da polaridade do cartão em relação ao mesmo.... Vamos analisar o TREVO: o seu significado primeiro é “sorte”. LOGICAMENTE, quando mais próximo o cartão estiver do significador, maior é a intensidade da sorte na vida do consulente! Quem não quer ter sempre a sorte por perto? Essa é a LÓGICA da leitura do Trevo, pelo método apresentado por “Philippe”, em 1846. Outra carta, onde a lógica é nítida, o Cão. Quanto mais próxima do significador, maior é a confiabilidade, a intimidade e a amizade demonstrada. E pergunto uma vez mais: Quem não quer ter o(s) amigo(s) próximo(s)? Qualquer um de nós. Essa é a leitura da carta pelo método apresentado. Próxima da carta significadora, o Cão apresenta-se como um amigo e, como na realidade, quando maior o afastamento, menor é a sua influência, podendo mesmo adquirir polaridade contrária, quando distante ou muito distante, a de um indivíduo não confiável. Outro exemplo significativo, o Urso, como “protecção” ( e sabemos que toda a mãe é uma protectora) . Próximo, a carta traduz segurança, estabilidade, segurança, mas quando mais afastada da significadora, mais diminuta se torna essa protecção, adquirindo mesmo a significação de desfavorecimento, desvalidação e vulnerabilidade em em relação ao outro (entenda-se o outro como o corpus social do indivíduo). Um outro exemplo desta dinâmica lenormândica, a Montanha, o obstáculo irremovível e intransponível e o inimigo. Neste contexto, inimigo(s) quando mais afastado(s) melhor, e é essa exactamente a significação da carta. Próxima ela traduz um inimigo e/ou um obstáculo “ciclópico, como a Montanha e afastado, esse inimigo, adquire polaridade positiva e converte-se num aliado influente e statualmente bem colocado. O Parque traduz sociabilidade e nós, como seres sociais, imperativamente precisamos dela. Quando mais próxima a carta, maior é a interactividade social do indivíduo. Se afastada, a mesma apresenta-se estagnada e o indivíduo num contexto apragmático. O mesmo se verifica com o Sol, a Lua e os Peixes, o self e a valorização pessoal, o status e o reconhecimento social e meritocrático e as finanças. Quem não deseja na vida todos estes ingredientes próximos de si? Qualquer um de nós, LOGICAMENTE. Assim funcionam estas cartas na dinâmica lenormândica, quando próximas da significadora. Distanciadas da mesma, a polaridade é invertida, e no indivíduo é bem presente o sentimento de desvalorização pessoal, a esterilidade, o ignotismo, a insatisfação e a instabilidade e a não produtividade material.
Outro exemplo significativo é a Árvore, a nossa saúde e aqui pergunta: Quem de nós deseja ter próximo a “sobrecarga” de preocupações com a saúde? Ninguém! É neste contexto, que a carta, quanto mais afastada da significadora, mais minimiza as preocupações com a mesma, preocupações essas ampliadas quando a carta aparece hospedada nas proximidades. Finalizo a primeira parte desta exposição, com carta Caminhos, as bifurcações e optatividades que nos são apresentadas. Evidentemente, que qualquer um de nós manifesta interesse em afastar de si dúvidas e hesitações e, assim funciona a carta, quando afastada da significadora. Subtrai essas situações e permite uma maior clarificação na realização.
Importante sublinhar, que todas as cartas são influenciadas, na sua significação, pelo “clouded” e o “not clouded” ( a carta n.º 06, as Nuvens), pela proximidade de cartas de polaridade negativa, pela sua hospedagem “sobre” e “sob”, à “direita” e “à esquerda” da significadora e, pela própria interacção com as outras cartas ( a justaposição das cartas, característica do nosso petit-Lenormand). Dúvidas, críticas e sugestões são calorosamente recebidas.

Abraços. Jorge

Imagem: Exemplo de uma "AndybC cross spread", extraída do blog http://dailylenormand.wordpress.com/